domingo, 23 de setembro de 2012



Reconstrução

Ela está se reconstruindo, está mudando, se levantando, se transformando, se recriando e se reinventando. Renascendo. Ela está sacudindo a poeira, está levantando a cabeça e se desafiando a ser mais forte. Esta se preparando para o esperado e mais ainda para o inesperado.
Ela cresceu, recém passou pela adolescência e agora tem saudade da infância.
Esse tempo todo de lágrimas, de amores e desamores, esse tempo de se conhecer e depois não saber quem é, toda essa confusão fez ela sofrer e rir, fez ela beber e cair, fez ela se apaixonar e esquecer, fez ela amar e odiar e ambas com uma intensidade que quase a fez se destruir.
Todo esse emaranhado de sentimentos e sofrimentos fez com que ela percebesse que era tudo parte de sua evolução, de um ritual de passagem para um novo tempo, para uma nova era, para ela se tornar e se ver como adulta. E todo o adulto sente saudade da infância, todo o adulto é alguém que complica as coisas e sente saudade de quando elas eram simples.
A etapa foi dura, ela tropeçou, caiu, ralou os joelhos e a moral, olhou para os lados esperançosa em avistar alguém que cuidasse de seus ferimentos.
Ela chegou ao fundo do poço e lá se consumiu em sua própria desgraça querendo chegar ainda mais fundo, se esconder do mundo e de si mesma.
Ela nadou contra a maré, lutou, orou aos deuses para morrer ou ser salva pela única criatura que lhe importava naquele momento, e então se entregou a correnteza até se afogar e perder os sentidos.
Ela atravessou o lamaçal, se sujou de barro, quase se sufocou no lodo e implorou por ajuda, gritou em silêncio, sussurrou e implorou em seu íntimo por uma mão que se estendesse voluntariamente, por alguém que a entendesse e a valorizasse.
Não adiantou.
Ninguém a ajudou em sua jornada, ninguém ofereceu uma corda ou uma mão para que ela saísse do lamaçal.
Ninguém surgiu em meio ao mar e a salvou antes que se afogasse.
Ninguém acorreu para lhe puxar do poço em que ela caiu
Ninguém tratou de suas feridas, ou sequer atentou para suas chagas.
Porém, ela percebeu o mais importante: ninguém notou toda essa jornada. Ninguém foi capaz de atentar para a mudez de seus gritos, ou entender que ela pedia por socorro sem que em seus olhos transparecesse o pavor.
Tudo isso aconteceu e ela sobreviveu. Talvez não desejasse ter sobrevivido, mas ela estava lá, mais viva do que nunca e agora sabia que estava pronta para essa nova etapa. Entendeu que se queria ser ouvida, não poderia ser por pensamentos, era necessário gritar. Se queria socorro, não era aos deuses que deveria rogar, mas sim a quem estava ao seu lado. Percebeu que era preciso chorar, para que mágoas pudessem ser curadas. Era preciso se impor para ser notada, que não podia ter medo de ocupar um espaço que era dela e de mais ninguém.
Ela curou suas próprias feridas com o tempo, e aprendeu a suportar a dor sem que ninguém viesse lhe fazer curativos.
Ela subiu as paredes do poço e perdeu a pele dos dedos na escalada, mas criou calos que lhe permitirão subidas mais altas de hoje em diante.
Ela acordou em meio às águas e avistou uma ilha, nadou até a praia com seu último fôlego, mas hoje ela sabe em qual correnteza pode se aventurar.
Ela quase foi tragada pela lama, mas lutou, se debateu e voltou a tona, encontrou raízes onde se agarrar e pisou novamente em terra firme. Hoje ela testa onde pisa para depois dar um passo a frente.
Ela vive esse novo momento, esse momento de mudança, de passos firmes, seguros, de caminhadas mais árduas, mas de recompensas maiores. Ela mudou e isso era uma imposição. Sua odisseia lhe impôs metamorfoses que ela sozinha não seria capaz de desenvolver. Ela se reinventou para não ser mais surpreendida e ainda assim viver algo novo a cada segundo. Ela fez escolhas erradas, em momentos errados e com pessoas erradas, ela caiu por suas escolhas e pagou o preço delas, mas ela se levantou e hoje olha de cabeça erguida e sem arrependimentos para seu passado. Hoje ela está calejada e pronta para beber em sua saúde, e a de mais ninguém, pois, hoje o que mais importa a vida, é viver.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012


Se ele acredita em acaso? Disso não existem dúvidas, talvez seja a única força além-humanidade na qual ele tenha fé, se é que tem...
Fé, ele tem mesmo é no tempo, esse muda tudo, muda o eixo, muda o sentido, só não muda a essência, essa é única e imutável, incapaz de metamorfoses bestas e sem propósito.
Já o acaso... ah o acaso! Que tão bela sucessão de desventuras maravilhosa é essa entidade? Uma força que tenta a cada dia te iludir com promessas tolas, como destino e justiça. O acaso é o deus do mundo, sim, com d minúsculo mesmo, é um deus que não gosta de estar em foco, não gosta de holofotes, uma divindade sacana e malandra que se diverte com nossas ilusões, que se deleita com nossas paixões e, ainda se dá ao luxo de criar intrincadas redes de amores não correspondidos, apenas pelo prazer de uma bela confusão.
Esse moço sabe disso, por isso se cuida tanto, não quer ele dar chance ao acaso, é um idealista, daqueles que adoram uma luta perdida, escolheu lutar contra um deus.
Uma vida contra a maré, assim se encontra o menino/homem, com paixões impossíveis, amores perdidos, amizades fracassadas e desilusões por esporte.

domingo, 9 de setembro de 2012


Mais um domingo de futebol


Mais um dia entediante começando, eu dormi até o meio dia e já perdi metade dele. Quem sabe já tenha me protegido de metade dele, afinal é o maldito e ocioso domingo, que se torna um porre até para um preguiçoso como eu. Porém, é domingo. Tem futebol, e o meu maldito time deve perder de novo, mas quem se importa? É domingo, e tem futebol.

Quem se importa se perdi o único programa bom para se assistir na TV nesse fatídico dia? É um programa matutino. É muito bom. Eu nunca assisto, mas sei que é muito bom, afinal eu sempre perco o que existe de melhor.  Se eu perco o programa, portanto ele é o melhor, sem dúvidas.
Acho que já me acostumei a perder. Perco amigos, perco amores, perco meus lápis e canetas, entre muitas outras coisas, mas essas, acredito serem as mais importantes. Essas, se você voltar uma página, encontrará visíveis as suas marcas. Se olhar nos pulsos, também verá, afinal, que nunca se riscou com a caneta não é?
No fundo é só mais um domingo, nada que eu já não saiba perder. Só mais um belo domingo de sol. Pessoas já saíram da cama e comeram muito, muito bem, ou praticaram algum esporte, ou visitaram parentes e amigos, enfim, uma infinidade de coisas legais, pra pessoas normais. Eu ainda nem levantei, talvez o faça na hora do futebol, afinal, preciso me proteger de toda a alegria fatídica do maldito dia.
Acho que esse comportamento resulta de aprender a perder. Não quer dizer que não tenhamos sonhos, apenas sabemos que eles não vão se realizar. Entre tantas coisas que foram embora, poucas são capazes de nos perturbar. Apenas observamos o desenrolar dos acontecimentos. Como quem contempla uma paisagem, uma árvore, uma rua e seus ladrilhos, crianças brincando, etc. Tais coisas, já acontecem naturalmente, e só precisam ser contempladas.
Quem se importa se eu sou um perdedor? Um resignado perdedor? Ninguém. O que é a minha fútil existência, vazia e frustrada, diante de tudo o que envolve um belo domingo de futebol na TV? E hoje tem futebol. Nada mais importa. Ruim mesmo são os domingos de fim de dezembro, ou começo de janeiro, nesses não tem futebol. Hoje tem. Ser um perdedor tudo bem, mas perder o futebol no domingo? Ah não! Isso não! Nunca. Seria como desistir de perder. Isso sim me faria sofrer.

terça-feira, 4 de setembro de 2012


te descuida menina!
te descuida, que o acaso vai cuidar.
o destino te abençoa, então dança
nem pensa no par,
te embala descuidada,
que é só mais um a te amar,
te descuida menina!
te descuida, que o acaso vai cuidar!

te descuida menina!
te descuida que o acaso vai cuidar.
tu não precisa de cuidados,
e tão pouco de certezas,
só precisa de acordes,
e de um poeta pra encantar;
te descuida menina!
pois, se o acaso não cuida,
o poeta vai cuidar!

te descuida menina!
te descuida, que o acaso vai cuidar.
não te prendem convenções,
nem te governam pudores ,
quando samba, sacode o morro,
quando samba  menina,
ao teu redor chovem amores;
te descuida menina!
pois, se o acaso não cuida,
o morro vai cuidar.

te descuida menina!
te descuida, que o acaso vai cuidar.
tu és o pecado necessário menina,
és a gula, és a luxúria,
és capital, e só por ser,
és o encanto natural,
que nada pode esconder;
então...
te descuida menina!
pois, se o acaso não cuida,
o pecado vai cuidar.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Geração de Merda

Vi uma notícia na TV que me fez refletir ainda mais profundamente sobre o momento em que se encontra nossa música, e que confirmou aquilo que digo á tempos: esta é uma geração de merda!

A notícia falava sobre o “cantor” (coloco aspas, pois, convenhamos né, é um crime chamar
esse idiota de cantor) do famigerado sertanejo universitário (a piada é velha, mas imagina o que tem só o fundamental) Gustavo Lima, que em um ataque repentino do espírito rock’n roll quebrou a guitarra no palco e jogou os pedaços para o público. Uma das partes acabou caindo na cabeça de uma menina de dez anos, que se encontrava na primeira fila.

A garotinha, de cujo nome não lembro, aparece um dia após o ocorrido para dar entrevista. Ainda visivelmente assustada e choramingando, tenta mostrar os “ferimentos” que eu sinceramente não vi, (sequer arranhões eu consegui visualizar). Mas que seja, que ela estivesse realmente machucada. Fica o fato: era desnecessário tamanha choradeira e estardalhaço, por tão pouco.

Sei que pareço insensível ao dizer isso, mas é verdade. Se tal acontecesse com alguém nos anos 60 em um show dos Betles ou dos Stones (antes que me advirtam, sei que não se pode comparar, e eu não cometeria tal sacrilégio), a criança abençoada que tivesse a sorte suprema de ter sido atingida por um pedaço da guitarra do Harrison ou do Richards, iria querer ver seu sangue jorrar, iria mostrar com o maior orgulho os pedaços do instrumento glorioso que o atingiu, e que anteriormente passara pelas mãos divinas desses gênios.

Além do que, pensem comigo: o que dói mais? Alguns arranhões na cabeça, ou o mofo na mente, que uma hora de “show” (tortura) com um lixo desses, gera?
Vou acreditar, que é uma forma de o acaso advertir, para que ela não frequente mais este tipo de porcaria, afinal, até o famoso festival dos Stones, em que alguns Hell’s Angels que trabalhavam de seguranças mataram alguns espectadores, era mais seguro do que esses eventos.

Nesses festivais você corria o risco de perder a vida. Com esses ruídos você corre o risco de perder o cérebro.

Valorizem mais a droga do cérebro, geração de merda!

Ou corremos o risco de ele se perder na cadeia evolutiva durante as próximas décadas.

Lei de uso e desuso.

Olhem para a foto acima, de Woodstock, e se inspirem! Será que durante o lendário festival, alguém se preocupou com uns cacos de uma guitarra e uns arranhões? Eu acho que não.

sábado, 1 de setembro de 2012

Fase

Vivemos de fases, e eu não sou diferente. Confesso, que a minha não é das melhores, falta de com quem conversar, falta de alguém pra ouvir, falta de carinho, falta de atenção, falta até de atitude, eu acho. Enfim: falta, falta e mais falta.

Mendigar atenção é a pior experiência de qualquer ser humano na minha opinião.

Ninguém deveria passar por isso. É algo muito cruel. Ver todas as pessoas que você gostou e confiou de repente muito distantes, alheias a sua vida, despreocupadas com você e seus problemas. É triste, simplesmente.

Porém acredito que tenha um lado bom (deveria ter pelo menos), acredito que quando tudo isso passar, vou estar mais forte,  mais confiante na minha capacidade, e o mais importante: com relações renovadas.

É aquele filtro natural da vida que regula quem é melhor para nós.

Sei que parece meio (ou muito) piegas, mas a realidade é assim: piegas. Um eterno ciclo, chato, repetitivo, depressivo e extremamente entediante, de situações sem sentido, de provações desnecessárias. que seriam facilmente excluídas de nossa vida sem nenhuma consequência em nossa personalidade.

Digo isso agora, e como já disse, minha fase não é das melhores. A gente escreve normalmente quando não está legal esperando que alguém em algum polo desse mundo identifique-se com nossas palavras e se importe. Normalmente ninguém se importa.

Talvez quando estiver mais pra cima eu nem lembre (ou finja não lembrar) que já escrevi todos esses absurdos. A tristeza faz isso conosco.
Infelizmente, resolvi criar meu blog e deixar minhas besteiras registradas me condenando.

Maldita tecnologia!

No tempo dos meus pais, era só proteger bem aquela carta ou aquele diário e pronto, quando passasse a maré ruim, não existiam provas contra você, ao alcance de olhos indiscretos.

A verdade é que somos uns fracos. Todos nós, explanando ao mundo nossas desventuras. Fortes eram nossos pais e mães, avôs e avós, que simplesmente guardavam suas decepções em papéis cuidadosamente escondidos de todos os possíveis interessados.

Tristeza é algo que vem e passa, em mais ou menos tempo, com maior ou menor intensidade, e na maioria vezes sem sentido aparente. É só uma fase. É uma nostalgia filha da puta capaz de roubar a graça genuína de tudo o que vivemos.

Mas um dia ela vai embora, e eu vou ver de novo o dia de sol na minha pequena cidade do interior. Deserta e com os paralelepípedos ofuscando minha visão como era antes.

Parece cocaína, mas é só tristeza, como já disse Renato Russo.

É a Fossa...

é a fossa...
não tem saída,
sequer a entrada  você encontra;
é a fossa...
ela chega e te invade,
sem causas,
sem explicações;

Nem mesmo um olá ela te dedica;
a fossa não precisa ser educada e te cumprimentar.
Ela não gosta de ti.
Depende de você
mas mesmo assim, não gosta;

A fossa,
tem um só objetivo:
fazer com que tu te afunde nela,
mais e mais,
aos poucos,
até não ser possível respirar
até o momento em que só a morte,
pode te salvar;

é uma espécie de animal,
um desses parasitas que se instalam no seu corpo,
e sugam todo o seu sangue...
sugam sua vida;

é a fossa...
um ser maligno,
que se alimenta das tuas aspirações,
dos teus sonhos,
do teu espírito...

é a fossa...
tão poderosa quanto um tsunami,
tão devastadora quanto um furacão,
é uma caçadora de almas,
fria e calculista;

silenciosa,
te faz gritar;
e quando grita,
se transforma em um nó na garganta,
que te sufoca,
e te impede de respirar;

é a fossa...
não tenta fugir!
você não tem para onde ir;
não tente se esconder!
ela se esconderá,
no mesmo canto escuro que você;