Aquele, sabe? Pra ela...
Se a gente não acorda cedo, não quer dizer que não sejamos
os primeiros a cevar o mate.
O mate das madrugadas, mais amargo, mais intenso,
companheiro dos solitários por esporte.
O mesmo chimarrão das noites que viramos. Das noites que se
fazem dias, e que por uma trapalhada ou brincadeira do acaso nos apresentou e
conectou.
Não sei exatamente o que nos torna idênticos, sei que o
nosso time, é que não é.
Talvez sejam as diferenças.
Talvez a paixão pelo rock ou pelas tarde de sol.
Que importa se eu prefiro o clássico e tu os subgêneros? Faz
alguma diferença eu preferir ver o astro rei da sombra, por medo das
queimaduras, e tu, de te banhar nele?
Que seres tão estranhos somos nós?
Capazes de nos garimparmos nesse mundo tão certinho, e ao
mesmo tempo tão desajustado para pessoas como nós.
Caminharmos de forma tão torta, um ao encontro do outro.
Ao lado, que seja.
Me perdendo nas linhas do teu All Star e das meias de cores
diferentes, sem perceber o bobo sorriso torto se desenhando em minha boca, capaz
de te roubar um riso.
Estranhos.
Vivendo em um paraíso de fones de ouvido e quartos fechados.
Quem sabe, o que mais nos una, não seja essa nossa preguiça,
que nos fez apressados e descuidados. Afinal, conosco foi assim, tudo mais
rápido do que estávamos preparados para enfrentar.
Tão rápido, que nossa tradicional fadiga, nos fez perder o
vocabulário e sermos incapazes de nos protegermos um do outro.
E assim vão indo as coisas, entre dúvidas e alguns ‘até
quando’, entre o novo-velho e o passado atual, eu encontro a minha satisfaction
(que eu gritei não conseguir), surfando os teus carmas, na intersecção do nosso
DNA.
